Gordofobia: o que é e como se defender

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O termo gordofobia tem sido cada vez mais ouvido na sociedade. Saiba mais sobre esse preconceito contra pessoas gordas, como se defender e os movimentos recentes para o empoderamento e autoaceitação.

Educar é um passo em caminho a igualdade, onde mais de 50% da população está acima do peso. É importante discutirmos o assunto abertamente uma vez que a gordofobia afeta a vida das pessoas de forma crucial.

Gordofobia: o que é

Gordofobia significa, literalmente aversão a pessoas gordas.

É um preconceito a pessoas gordas em função de um padrão estabelecido pela sociedade e super reforçado pela publicidade em que o corpo ideal é um corpo magro.
As pessoas com gordofobia comportam-se de forma a julgar as pessoas gordas, criticando-as, ridicularizando-as, fazendo com que se sintam anormais.

Frases que reforçam ideias gordofóbicas, segundo a jornalista Juliana Romano:

“Você tinha que emagracer, pela sua saúde” – reforça a crença de que toda pessoa gorda é doente.

“Você emagreceu, tá linda!” – reforça a ideia de que quanto mais magra for a pessoa, mais bonita ela é.

“Mas ela nem é gorda, ela é normal” – o uso do normal para uma pessoa implica que seu contrário é anormal.

“Você não e gorda, é cheinha” – usar diminutivo pra tentar “aliviar” a palavra gorda só mostra o seu preconceito.

Estudos em todo o mundo indicam que pessoas com sobrepeso ou obesas experienciam níveis mais altos de estigma em relação a pessoas magras.

Representatividade – A Importância de Mulheres e Homens Gordos na Mídia

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A modelo brasileira plus size, Fluvia Lacerda, de 38 anos, uma das mais famosas atualmente e que mora em NY desde os 16 anos, desabafa:” Crescemos aprendendo que a palavra gorda é um xingamento’.

Fluvia nunca fez dieta e nem se interessa por saber seu peso. Acredita que é necessário se caminhar bastante no combate à gordofobia.

Preta Gil, cantora de 44 anos, é constantemente alvo de ataques gordofóbicos, que aumentam no verão – ela usa e posta fotos de biquíni em sua conta no Instagram com freqüência. Dona de um peculiar bom humor, rebate as críticas: ‘Vai ter foto de corpo inteiro sim! E bem plácida desfilando nesse mar azul.“

Conhecida por lançar personagens carismáticos, a atriz Mariana Xavier, de 39 anos, é alvo de comentários maldosos e já foi viciada em remédios para emagrecer. Conseguiu alcançar um novo patamar em sua vida depois de investir em terapia.

Acesse o canal Mundo Gordelícia no Youtube, lá Mariana aborda assuntos sobre aceitação e autoestima.

É importante a presença de mulheres e homens gordos nas mídias em função da representatividade. Somos sete bilhões de humanos, com variados tipos de corpos e todos precisam estar inseridos de forma igualitária na sociedade.

Sentir-se identificado e refletido também nos meios de comunicação, onde não há um único padrão físico, refletido durante décadas como sendo geralmente o magro, é uma forma de inclusão que gera pertencimento.

Guia Para Orientar Pessoas Gordas a se Defenderem

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Guia Express Direitos da Pessoa Gorda, é uma criação da advogada capixaba, Rayane Souza. O objetivo é orientar pessoas gordas a defenderem-se em casos de gordofobia.

A ideia surgiu após ouvir desabafos sobre discriminação e também para que o termo gordofobia ganhe relevância no meio jurídico.

Os temas abordados por Rayane vão de gordofobia no ambiente de trabalho, passando pela questão do preconceito em consultas médicas, na internet, transporte público, espaços de lazer e em questões pertinentes a concursos públicos.

Leia uma parte de conteúdo clicando aqui e demais tópicos Rayane postará direto em sua conta no instagram 

Peso e Saúde

Ser gorda não é ser doente.
Especialistas atentam para a necessidade de não generalizar.

Pra se ter uma idéia, o sedentarismo, ou seja, indivíduos que não praticam nenhuma atividade física, morrem com mais freqüência do que pessoas com sobrepeso e ativas fisicamente.

Dana Falsetti (foto), começou a praticar yoga em 2013 e duvidava da sua capacidade de chegar tão longe e realizar todos os movimentos.
Atualmente é professora da prática e incentiva o amor próprio em outras mulheres que lutam contra a homofobia e a cultura da dieta.

Segundo ela, peso não é um ditador de saúde. “Aceito meu corpo conforme ele vai mudando. Aceito nos dias em que eu o amo. E aceito também nos dias em que não amo. Minha esperança é sempre dar a mim mesma a possibilidade de ser quem sou.

Você pode ser gordo e saudável e pode ser gordo e doente. Você pode ser magro e saudável e ser magro e não ter uma boa saúde. Mas o pior de tudo isso é a vergonha, o isolamento e a desumanização que resultam dessa situação.”

Já sabemos as recomendações básicas para uma boa saúde. A medicina basicamente recomenda que:

Mexa-se – pratique atividades físicas regularmente,

Coma comida de verdade – aquela comidinha de vó e xô industrializados,

Não fume – cigarro é causador de uma série de doenças,

Durma bem – o sono impacta a saúde física e mental.

Movimento Body Positive

Significa imagem corporal positiva, tanto com você quanto com todas as outras pessoas.

Não quer dizer que não queira mudar nada em seu corpo, não é se conformar passivamente e pronto; é entender que ter uma visão positiva sobre si é importante pra viver em sociedade.
deixar de dar TANTA atenção pra o que não se gosta e dar um outro significado. Por exemplo, mesmo não gostando de ter estrias, você coloca um biquíni, vai à praia e se diverte.

É dar visibilidade e enaltecer os aspectos que você gosta no seu corpo. Essa perspectiva facilita a vida.

É importante ter paciência, saber que se amar do jeito que se é, é um processo, e que a caminhada vai valer a pena, sob vários aspectos.

Pra Ler,  Assistir  e Ouvir

Assistir no  Youtube – Documentário Gorda – de Luiza Junqueira com quinze minutos de duração.

Ouvir – Podcast Gordofobia   do Coletivo Mamilos.

Ver – ensaio de fotos intitulado Empoderarte-me, de Mariana Godoy

Ler – A Gorda, de Isabela Figueiredo

Poder Extra G, de Thati Machado

Amor Plus Size, de Larissa Siriani

Não Sou Exposição, de Paola Altheia

Gorda Não é Palavrão, de Fluvia Lacerda

“O que eu quero que você saiba é que eu não me importo em ser gorda. Eu gosto das minhas dobras, do meu rosto redondinho, da maneira como meu corpo preenche um vestido ou uma calça, do meu umbigo grande e da minha barriga positiva.” Mariana Zambon