Videira: Doenças e Pragas

Escrito por

A videira pode ser atacada por doenças fúngicas e pragas de insetos. Listamos aqui os principais desafios para a manutenção de parreiras e plantações de videiras saudáveis.

Prevenção de Doenças nas Videiras

Uma das melhores prevenções para doenças é a limpeza das ferramentas, que deverão estar sempre limpas e desinfetadas.

Evitar podar as plantas atacadas primeiro e depois ir para as demais. Mãos e roupas também deverão ser sempre limpas na hora de podar a muda. Plantas muito atacadas deverão ser arrancadas e queimadas para evitar a propagação da doença para as plantas vizinhas.

Para lavoura, a recomendação de defensivos deverá ser orientada por profissional, que indicará qual o mais adequado.

Podridão Seca

Comum nos pomares do sul, a podridão seca é causada pelo fungo Botryodiplodia theobromae. Evitar que a planta sofra escassez hídrica, mas evitar também o encharcamentos.

O patógeno pode entrar por feridas ocasionadas na capina junto ao tronco. Podões infectados em outras plantas é um grande fator de transmissão da doença. Passe a ferramenta pelo fogo antes de podar nova muda.

Tratamentos à base de fungicidas são aplicados, o mais conhecido é à base de sulfato de cobre. Podar ramos doentes. Para as feridas feitas no tronco usar um canivete limpo para raspar a mancha até limpeza total, aplicando calda bordalesa no corte.

Míldio

míldio

Míldio na folha de parreira

O míldio é causado pelo patógeno Plasmopara vitícola. O sintoma pode ocorrer nas folhas. Na página superior surgem manchas amareladas, que são translúcidas quando se olha contra o sol.

Tem aspecto oleoso e na parte inferior da folha surgem esporos brancos. A seguir ocorre o necrosamento da folha. No cacho ocorre o secamento, aparecimento do fungo e queda das flores.

Se atacar as bagas elas ficam escuras, murcham e caem. Ocorre em lugares de alta umidade, acima de 95%, pois a água é a forma pela qual o fungo penetra nas folhas através dos estômatos.

O modo de controle parte da aeração do ambiente, com a diminuição da parte foliar, para que o ar circule e também o sol possa incidir melhor. Além disto, uma condução adequada dos ramos para evitar partes mais densas também é aconselhável.

Antracnose

anthracnose

Uvas com antracnose

A antracnose é causada pelo fungo Elsinoe ampelina, com o ataque à planta nas folhas, ramo verdes, flores e frutos.

Há formação de cancros nos ramos e as folhas ficam necrosadas. As bagas ficam com manchas de formato circular, bordas cinzentas e centro escuro, conhecido como “olho de passarinho”.

Para que a doença não se instale, o local de cultivo deve ser arejado, sem ventos frios e o uso de plantas sadias. Na época de repouso podar e queimar os ramos doentes. O controle químico mais usado é a calda sulfocálcica aplicada na mesma época.

Bacterioses e Viroses que Atacam as Plantações de Uva

A videira também pode ser atacada por viroses e bacterioses. Como atacam toda a planta, métodos de propagação por estacas pode levar a proliferação atacando toda a lavoura.

As uvas americanas ou até seus híbridos (Niágara branca e Rosada) são menos sensíveis aos vírus que causam o enrolamento de folha. O sintoma é de queimadura, nas nervuras principais da folha.

No cultivar Isabel, o mais usado no sul do país, ocorre também a diminuição do crescimento da planta. Outros sintomas de doenças causadas por viroses são tronco com casca muito rugosa e intumescimento dos ramos, necrose das nervuras e muitos outros.
Ambos têm a produção de frutos muito afetada, com pouca brotação.

Galha de Coroa

Bacterioses são menos comuns no país, embora a galha de coroa que ataca também outras frutíferas além da videira possa causar muito prejuízo. A galha ocorre junto à linha do solo, nas raízes ou em ramos, com tecidos formando um tipo de caroço.

Não há controle sobre este patógeno, o melhor é arrancar a muda e queimar.

Cancro

Xanthomonas campestres pv vitícola

Folha de parreira com cancro

O cancro é causado pela bactéria Xanthomonas campestres pv vitícola, transmitido através de material vegetativo para propagação. Ocorre mais na região do Vale do Rio são Francisco. Os sintomas são manchas de halo amarelado e centro escuro, esparsas na folha.

Nos ramos, rachaduras e cancros e nos cachos rachaduras e as bagas ficam murchas.

O método de controle é a utilização de material sadio, do porta-enxerto e das gemas e estacas na propagação de mudas. Em nível caseiro, observar bem a muda de videira ao comprar, evitando trazer para casa plantas doentes.

Nematoides

Melodoygine

Videira atacada por nematoides

São vermes cilíndricos, alongados, mas também podem ter a forma arredondada (fêmeas). De tamanho variado vivem no solo e na água. Os nematoides (Melodoygine) podem afetar muito o desenvolvimento e produção de uvas.

As folhas ficam cloróticas, de um verde muito claro e as raízes com galhas. A produtividade cai acentuadamente. Para controlar, muito cuidado ao adquirir plantas já envasadas e não de raízes nuas, quando elas poderiam ser observadas para detecção do problema.

Porta enxertos resistentes e análise do solo onde será cultivada a muda. Nas regiões de clima mais frio, como no Sul, é frequente haver nematoides no solo. A desinfecção por medidas como a solarização poderá ser adequada.

Insetos e Outros Predadores de Uvas

Insetos e pássaros buscam alimentar-se dos cachos e podemos proteger nossa produção doméstica com sacos feitos de papel encerado branco, como também é feito para pêssegos, ameixas e peras.

Os frutos se desenvolvem bem sem problema e estarão protegidos. Em regiões de sol intenso e quente também é interessante a proteção do papel, evitando que o sol danifique queimando as bagas.

Pérola-da-Terra

Eurhizococcus brasiliensis

Pérolas-da-terra

No solo poderá haver um inseto muito danoso, a cochonilha conhecida como pérola-da-terra (Eurhizococcus brasiliensis), que suga a seiva das raízes, provocando o definhamento da planta.
Para controlar, analisar o solo, fazer as correções e adubações recomendadas, uso de porta enxertos resistentes e mudas sadias, adquiridas com raiz nua.

O grande problema com esta cochonilha é que ela ataca outras plantas, chamadas de hospedeiras, tais como aboboreiras, alfaces, almeirões, amendoins, cenouras e batata-doce e batata-inglesa, além de outros.

O plantio na área onde houve o cultivo destas plantas e também de ervas invasoras poderá propiciar o desenvolvimento e proliferação da praga.

Cochonilhas

Outra praga são as cochonilhas que atacam a parte aérea da planta, sugam as folhas extraindo sua seiva. Provocam definhamento e toxidade pela introdução de suas enzimas de digestão.

A exsudação da seiva propicia o surgimento de fumagina, um fungo oportunista que se é comum a outras plantas frutíferas e também ornamentais.

Algumas das cochonilhas: cochonilha-parda (Parthenolecacanim persicae), cochonilha-de-algodão (Icerya schrottki) e a cochonilha-de-tronco (Hemmiberlesia lataniae). O controle pode ser feito com a calda sulfocálcica, aplicada no período de repouso da parreira.

Filoxera

Um outro problema com insetos é a incidência de filoxera, (Daktulosphaira vitifoliae), que suga as folhas. Ocorre principalmente em cultivares sensíveis e mudas de pé franco, isto é, oriundo de semente.

O controle é difícil e o mais eficiente ainda é o uso de plantas resistentes.

Ácaro Branco e Ácaro Rajado

olyphagotarsonemus latus

Ação do ácaro branco na videira

O ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus) e o ácaro rajado (Tetranychus urticae) atacam folhas novas e ocasionam o encurtamento dos ramos novos, causando grandes prejuízos.

Evitar a utilização de cobertura vegetal embaixo das latadas, pois os insetos migram para a videira.

Mosca das Frutas

A mosca-das-frutas (Anastrepha fraterculus) ataca principalmente uvas para consumo in natura, as conhecidas como uvas de mesa.

O controle mais conhecido é o uso de armadilhas contendo um tipo de mistura feito com melaço e inseticida específico, colocadas na borda da latada.

Abelhas e Vespas

 

As abelhas e vespas adoram as o sumo das bagas. As vespas conseguem romper a película da baga e sugam o suco. O que transborda atrai as abelhas.

Como são insetos considerados benéficos, o melhor controle é disponibilizar perto uma ou mais plantas melíferas, que propiciam o alimento do qual necessitam.