Veganismo: Muito Além da Alimentação

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O veganismo não é apenas um hábito alimentar que exclui alimentos de origem animal. Ele também é um estilo de vida que pretende não envolver o sofrimento animal – e isso se traduz em hábitos e escolhas diferentes. Saiba mais a seguir.

Uso de Animais fora da Alimentação

Nos últimos anos, o aumento do interesse pelo veganismo cresceu 500% no Brasil, segundo buscas realizadas no Google. Isso ocorre por conta de uma crescente intenção por uma alimentação mais saudável e questões éticas envolvendo o sofrimento animal.

mulher coelho

Cresce o número de marcas de cosméticos que não testam seus produtos em animais

Hábitos alimentares veganos excluem, além das carnes, também o leite, ovos e até mesmo o mel. Ou seja, nada de origem animal no prato. Mas como isso se estende para outras áreas da vida?
Bom, é importante entender que os animais não estão presentes apenas na hora do café da manhã, do almoço ou do jantar.

Usamos seu couro para nos vestir, nos calçar e revestir nossos móveis; usamos produtos de higiene testados em animais ou com componentes derivados deles.

Fazer escolhas veganas pode parecer arrojado demais para a maior parte das pessoas. No entanto, a própria Vegan Society recomenda que a aderência a uma vida livre de sacrifícios animais ocorra dentro do que é possível para cada um. Sem grandes limitações.
Até porque é praticamente impossível viver em sociedade sem esbarrar em derivados animais. Tintas, medicamentos, pneus e outros itens comuns os contém, de uma forma ou de outra.

A Onda dos Produtos Veganos

E o mercado está de olho na crescente conscientização desse público. Um dos maiores fabricantes de pneus do mundo, por exemplo, está substituindo o ácido esteárico, animal, por um ácido vegetal.

Na linha da borracha, preservativos necessitam de caseína, animal, para alcançarem a textura e elasticidade ideais. A indústria também já está buscando uma alternativa para lançar camisinhas veganas.

muskin

Muskin, o “couro de fungos”

Doces e iogurtes estão deixando de utilizar corante cochonilhas, um pequeno besourinho, para colorir seus produtos.

Xampus, sabonetes, hidratantes e pastas de dentes são feitos de glicerina. Muitas empresas de cosméticos já se apresentam ao mercado como veganas, com produtos de origem totalmente vegetais. Elas também não realizam testes em animais.

O chamado couro sintético é feito a partir de petróleo, que no final das contas é feito de resíduos vegetais e animais, não pode contar, portanto, como vegano.

No entanto já está disponível, no mercado internacional, o muskin, feito de uma espécie de fungo com textura e resistência muito semelhantes ao couro animal. E existe também o couro vegetal, feito a partir de um tecido de algodão banhado em látex.

Em termos de vestimenta, o vegano ainda aposta nas fibras naturais: algodão, lã, brim. Os tons costumam ser neutros, pois alguns corantes levam itens animais.

Ativismo Vegano

Como vimos, o estilo de vida vegano é, em si, uma forma de ativismo contra o sofrimento animal. Na esteira de tudo isso existe um posicionamento que pressiona as indústrias a se adaptar a essa causa.
Afinal de contas, com o crescimento da consciência da população exige que empresas adaptem seus produtos, sob pena de perderem mercado consumidor.

orangotangoDentro do veganismo existem muitas causas específicas a defender. Uma delas é relacionada à indústria farmacêutica, da qual a população é completamente dependente para tratar da saúde. Testes em animais ainda são realizados, mesmo já sendo considerados obsoletos.

O óleo de palma, o mais consumido no planeta, está devastando essa planta. Orangotangos da Indonésia, que encontram nela o seu habitat, morrem no número médio de 5 mil por ano por conta disso.

De modo que veganos são curiosos e cuidadosos. Pesquisam a história dos produtos que pretendem comprar e boicotam os que envolvem exploração animal. Leem rótulos de alimentos, etiquetas de roupas e estudam até mesmo as políticas de lugares que pretendem visitar.

O estilo de vida vegano não se deixa abater pelos obstáculos que encontra. Afinal, não agir diante de uma situação desfavorável é permanecer na zona de conforto, aceitar injustiças e não mudar nada.