Os animais marinhos !

flickr: Barbol
Os ouriços do mar e vários outros animais semelhantes são venenosos, embora o veneno em si raramente cause prejuízos ao ser humano. Mais comumente, os espinhos que cobrem a casca de um ouriço do mar fragmentam-se no interior da pele, causando lesão de tecidos e inflamação.
Quando não são removidos, os espinhos deslocam-se para os
tecidos mais profundos (causando uma inflamação crônica)
ou podem encravar em um nervo ou em um osso.
A pessoa pode apresentar dores articulares e musculares e erupções
cutâneas.
Os espinhos de ouriços do mar devem ser removidos imediatamente. Uma
alteração da cor da pele (tornando-se azulada) no local de
entrada pode ajudar a localizar o espinho.
Como o vinagre dissolve a maioria dos espinhos de ouriços do mar, é possível
que seja suficiente aplicar várias compressas ou realizar banhos de
vinagre. A área em torno da picada é lavada e, a seguir, é aplicada
uma pomada contendo uma combinação de anti-histamínico,
analgésico e corticosteróide.
Ocasionalmente, o médico deve realizar uma pequena incisão
para remover um espinho, que é frágil.
O veneno da raia lixa está contido em uma ou mais espinhas localizadas na parte posterior de sua cauda. Geralmente, as lesões ocorrem quando uma pessoa desavisada pisa sobre uma raia lixa ao caminhar dentro da água. A raia lixa arremessa sua cauda para cima e para frente, cravando a espinha (ou espinhas) no pé ou na perna da vítima. A cobertura da espinha é rompida e o veneno é liberado, causando uma dor intensa imediatamente .
A dor pode limitar-se à área em torno da picada, mas, freqüentemente,
propaga-se rapidamente, atingindo o seu pico em menos de 90 minutos. Quando
não tratada, a dor geralmente persiste, diminuindo gradualmente após
6 a 48 horas. Os episódios de desmaio, fraqueza, náusea e ansiedade
são comuns. O edema, os linfonodos aumentados de volume e dolorosos,
o vômito, a diarréia, a sudorese, as câimbras generalizadas,
a dor na região axilar ou inguinal e a dificuldade respiratória
são menos comuns.
Geralmente, a lesão causada pela espinha é irregular
e sangra abundantemente. Podem restar fragmentos do revestimento da espinha
na lesão, aumentando o risco de infecção. As bordas
da lesão freqüentemente apresentam alteração da
coloração e alguma destruição tissular. O edema
em torno da lesão é comum.
As lesões de um membro superior ou inferior em decorrência de
picadas de raias-lixas e da maioria dos outros peixes devem ser lavadas com água
salgada. Quando podem ser visualizados, os fragmentos do revestimento da
espinha no interior da lesão devem ser removidos.
O membro lesado
deve ser mergulhado na água mais quente que a vítima conseguir
tolerar durante 30 a 90 minutos. Quando essas medidas de primeiros socorros
demoram a ser instituídas, a dor pode tornar-se muito intensa. Nestes
casos, o médico pode anestesiar a lesão com um anestésico
local e administrar um analgésico à vítima.
É importante que a vítima procure um médico para que seja realizada a limpeza e o exame da ferida, seja administrada uma dose de reforço da vacina antitetânica, seja iniciada a antibioticoterapia (quando necessária) e seja realizada a sutura da lesão.
Alguns moluscos, os quais incluem os caramujos, os polvos e os bivalves (mexilhões, ostras e vieiras), são venenosos.
O cone da Califórnia
(Conus californicus) é o único caramujo perigoso encontrado
nas águas norte-americanas. O seu ferrão causa dor, edema,
hiperemia e dormência em torno do local da picada.
As picadas de
polvos norte-americanos raramente são perigosas.
O envenenamento
acompanhado de paralisia causado por frutos do mar é causado pelo
consumo de certos bivalves (ostras e mexilhões) contaminados por
dinoflagelados venenosos (animais marinhos unicelulares). As medidas de
primeiros socorros parecem ser pouco eficazes nos casos de picadas de Conus
e de polvos.
As picadas graves de Conus podem causar o choque, que exige
um tratamento médico intensivo com assistência respiratória
e circulatória.
Muitos celenterados, que incluem os corais, as anêmonas do mar, as águas-marinhas e as caravelas-portuguesas, possuem ferrões muito desenvolvidos que podem atravessar a pele. Esses ferrões são particularmente numerosos nos tentáculos do animal: um só tentáculo pode disparar milhares deles sobre a pele. A lesão resultante depende do tipo de animal. Geralmente, surge uma pequena erupção distribuída em forma de uma série de linhas, algumas vezes circundada por uma área hiperemiada (vermelha).
A dor pode ser mui-
to intensa e o prurido local é comum. A erupção cutânea
pode evoluir para bolhas que se enchem de pus e, a seguir, rompem. Outros
sintomas incluem fraqueza, náusea, cefaléia, dores e espasmos
musculares, secreções oculares e nasais, sudorese excessiva,
alterações da freqüência cardíaca e dor
torácica que piora com a respiração. As picadas da
caravela-portuguesa, incluindo aquelas que ocorrem nas águas norte-americanas,
causaram a morte de algumas pessoas.
Foram sugeridos vários tratamentos para as picadas de celenterados,
apesar de que, para a maioria desses acidentes, é suficiente uma
boa limpeza do local. Em algumas partes do mundo, é realizada a
aplicação de amoníaco ou de vinagre sobre a lesão.
Nos Estados Unidos, para aliviar a dor, vêm sendo utilizados produtos
amaciantes de carne (p.ex., papaína), o bicarbonato de sódio,
o ácido bórico, o suco de limão ou de figo, o álcool
e muitas outras substâncias.
É sugerido o seguinte tratamento:
1. Colocar água do mar (não água doce) sobre a área
lesada.
2. Remover os tentáculos com um instrumento adequado ou com a mão
enluvada.
3. Embeber a área lesada com uma solução de partes
iguais de água e vinagre durante 30 minutos.
4. Aplicar farinha ou bicarbonato de sódio sobre a ferida e, cuidadosamente,
raspar o pó com uma faca afiada.
5. Embeber novamente a área com vinagre.
6. Aplicar uma pomada contendo uma combinação de anti-histamínico,
analgésico e corticosteróide.
As reações mais graves podem necessitar de um tratamento
com oxigênio ou um outro tipo de suporte ventilatório. Os
espasmos musculares dolorosos e a dor intensa são tratados com medicamentos
intravenosos. Atualmente, existe uma antitoxina disponível para
as picadas de certas espécies australianas, mas ela não alivia
os sintomas causados pelas picadas de espécies norte-americanas.
fonte: Merck
