Sangramento na gestação !

flickr: Conexão Vancouver
Escrito por Dra. Kátia de Cássia Teixeira
Ginecologia e Obstetrícia
Querida gestante, neste momento especial da sua vida, é preciso
ter muito cuidado com os esforços físicos e qualquer sangramento
que aconteça do início ao final da gestação.
Os sangramentos durante a gestação são divididos em
três fases: primeiro, segundo e terceiro trimestre.
Vou dar algumas orientações de cada trimestre da gestação, com relação aos sangramentos. E não se esqueçam que qualquer sangramento deve ser comunicado ao seu médico do pré-natal ou procurar atendimento por profissional especializado em uma maternidade.
Você precisa saber que existe sangramento que pode ser fisiológico (implantação do ovo) e patológico (ameaça de aborto; abortamento; gestação ectópica; doença trofoblástica – mola hidatiforme, mola invasora, coriocarcinoma e tumor trofoblástico do sito placentário; laceração vaginal ou cervical; inflamação do colo uterino; pólipo e câncer de colo uterino).
A sua gestação é mantida pela ação do hormônio progesterona, que inibe as contrações uterinas e favorece o desenvolvimento do endométrio, ajudando na implantação do ovo. No primeiro trimestre, pode ocorrer um pequeno sangramento quando ocorre a implantação do saco gestacional na cavidade uterina, que é um sangramento fisiológico, em pequena quantidade, com sangue escurecido tipo borra de café, em pequena quantidade, sem cólicas e que pode durar alguns dias. Este fenômeno é conhecido como o sangramento da implantação. Este sangramento ocorre por um rompimento de um vaso sanguíneo da parede uterina.
Na ameaça de aborto e abortamento: ocorre um sangramento intenso, com sangue bem vermelho, com coágulos e com cólicas. Não há medicamentos que façam com que o sangramento pare. Se o sangramento parar espontaneamente, é chamado ameaça de aborto e a gestação pode seguir sem nenhum problema até o final. Ao exame físico, através do toque vaginal, seu obstetra vai verificar que o colo uterino encontra-se impérvio (fechado, não dilatado). Será solicitado um exame de ultra-sonografia obstétrica transvaginal, que vai mostrar como está evoluindo a gestação. Se o sangramento continuar e se intensificar, evolui para o abortamento espontâneo ou natural.
Na gestação ectópica, o sangramento é semelhante à ameaça de aborto, mas a cólica é intensa. Ao exame físico, pelo toque vaginal, o colo uterino estará impérvio e ao exame abdominal, apresenta uma dor intensa à palpação. O diagnóstico é confirmado pelo exame de ultra-sonografia, que vai mostrar a localização da gestação fora do útero. Geralmente, a gestação localiza-se na trompa, ovário ou cavidade abdominal. E o saco gestacional pode estar íntegro (saco gestacional com embrião) ou roto com sangue na cavidade abdominal.
Outro tipo de sangramento que pode ocorrer nesta e nas duas outras fases da gestação, é quando você apresentar algum tipo de inflamação ou infecção no colo do útero, pólipo ou câncer de colo uterino.
Geralmente, quando ocorre abortamento no primeiro trimestre,
este é causado
por alguma alteração genética incompatível com
a vida. Também pode ocorrer abortamento por presença de pólipos,
miomas e insuficiência do corpo lúteo. O corpo lúteo é formado
no ovário que liberou o óvulo que foi fecundado, ele produz a
progesterona até por volta da 12ª semana de gestação,
quando é substituído pela placenta.
Nesta fase, qualquer sangramento ou dor tipo cólica, precisa ser bem
avaliado por profissional especializado, devem ser suspensas a atividade sexual
e prática de exercícios físicos, para que se possa evitar
um abortamento.
Neste trimestre, 20% das gestações em que a mulher apresenta cólica ou sangramento chega ao abortamento espontâneo, alguns casos sem ter sido diagnosticada a gestação através do exame de sangue BHCG.
No segundo trimestre da gestação, o seu útero cresce e começa a sair da pelve, é quando as pessoas vão observar que sua barriga está crescendo. O sangramento vaginal pode ocorrer por esforço físico e por posicionamento anormal da placenta.
Os sangramentos que ocorrem nesta fase, geralmente, são decorrentes da patologia obstétrica chamada placenta prévia. Nesta patologia, a placenta está localizada anormalmente, no seguimento uterino (parte inferior do útero), atingindo o orifício interno do colo, que é a placenta prévia marginal, próxima ao orifício interno do colo, que é a placenta lateral ou até mesmo tampando o orifício interno do colo, que é a placenta prévia centro total ou completa.
A localização correta da placenta é fora do seguimento uterino, longe do orifício interno do colo, podendo ser anterior, posterior ou fúndica. Com o desenvolvimento da gestação e o crescimento uterino, ocorre deslocamento da placenta e se a localização for anormal, ocasiona o sangramento vaginal, que é indolor, intermitente (irregular, sangra e pára).
Se você apresentar sangramento deste tipo, procure seu médico obstetra. Você vai ser examinada e será solicitado exame de ultra-sonografia. Na ultra-sonografia, é diagnosticada a posição da placenta, que vai orientar a conduta e seguimento médico do pré-natal.
Nos casos de placenta prévia, é preciso abstinência sexual, uso de anti-espasmódicos (medicamentos que evitam as contrações uterinas) e repouso relativo ou absoluto, dependendo do caso individual de cada paciente. E o tipo de placenta também vai orientar qual o tipo de parto. No caso da placenta prévia centro total, é realizado o parto cesáreo, não é possível o parto normal.
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