Carro… polimento, a verdade sobre a Cristalização!

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Cristalizar!

Um nome pomposo que o público adotou rapidamente e que na realidade foi inventado para enganar o consumidor.

O verbo “CRISTALIZAR” significa mudar a estrutura molecular de um produto de amorfa (sem direção e regra definidas) para cristalina (com direção e regra definidas)

No caso de um polimento e da aplicação de qualquer tipo de cera protetora, a estrutura amorfa da tinta jamais poderá ser mudada para cristalina.

Infelizmente não somente o verbo “CRISTALIZAR” está sendo usado erradamente no caso dos polimentos, mas também as promessas feitas aos consumidores são exageradas devido a falta de produtos e tecnologia de aplicação.

Promessas de enceramento “CRISTALIZADO” com duração de 6 (seis) meses a 1 um ano na maioria dos casos não são cumpridas.

Para conseguir uma camada cerosa e duradoura encima da pintura, deverá ser feito primeiramente um polimento com polidores a base de água e que contem um mínimo de cera e nenhum silicone. A finalidade deste polimento é de limpar totalmente a superfície da tinta, retirando todos os contaminantes sólidos incrustados. Este polimento não é necessariamente abrasivo, não causando assim a redução da espessura da tinta ou do verniz de acabamento.

É necessário criar uma superfície pintada totalmente limpa para conseguir aderência da camada cerosa protetora a ser aplicada em seguida.

O uso de massa de polir convencional (N.º 1, N.º 2 ou N.º 3 de qualquer procedência) deixará a superfície pintada com vestígios de cera e gordura. A gordura provem do querosene usado como solvente neste tipo de polidores. Ambos impedem a aderência de camadas protetoras posteriores.

Na maioria dos casos, para encobrir os defeitos de um polimento mal feito, com massa de polir, é aplicado pós polimento com massa de polir uma camada de cera limpadora qualquer. Somente após a aplicação desta cera limpadora é aplicado o assim chamado “CRISTALIZADOR” .

Mesmo no caso de usarem uma boa proteção cerosa, a aderência da camada será minimizada pelos contaminantes deixados pelas massas de polir e pela cera limpadora.

Para agravar ainda mais a situação, a cada polimento feito com massa de polir N.º 1 ou N.º 2 de qualquer procedência, a espessura da tinta ou do verniz diminui sensivelmente.

Durante a vida útil de um automóvel não é recomendado mais de 2 ou 3 polimentos deste tipo.

Um segundo erro é encontrado nos produtos usados para criar a camada cerosa protetora.

1 – Alto peso molecular: esta característica é necessária para a formação de mega-moléculas com polaridade acentuada e formação de camada através de forças eletrostáticas. Quanto maior for a molécula, maior a polaridade da mesma, maior a força eletrostática que cria a camada protetora e maior a adesão da camada sobre a tinta.

2 – Resistência a lavagem: o produto deverá formar camada resistente por longos períodos de tempo aos ciclos de lavagem por água, ciclos proporcionados pelas chuvas ou pelo próprio sistema periódico de lavagem do veiculo.

3 – Repelência à raios ultravioletas : o produto deverá conter aditivos em quantidades suficientes para proporcionar uma proteção eficiente contra raios solares, maiores causadores da instabilidade química das tintas .

Os assim chamados “CRISTALIZADORES” são na maioria ceras comuns que não possuem todas ou a maioria das características acima expostas. O uso de cera aditivada com TEFLON não melhora em absoluto o desempenho da camada protetora, sendo este um elemento totalmente inerte na temperatura a qual é aplicado.

Conclusão

O consumidor que pretende aplicar uma proteção de pintura duradoura na tinta do seu veiculo deverá escolher cuidadosamente tanto o produto a ser aplicado para tal finalidade como o próprio profissional para aplicá-lo, evitando assim aborrecimentos futuros.

Autor: Engº André Avny
fonte: Ziebart Serviços Automotivos Ltda