O cultivo de Orquideas - parte 2
Texto e fotos da Eng.Agr.Miriam Stumpf.

Os nomes das plantas são dados em latim ou grego clássico, antigas línguas usadas hoje para nomear plantas e para termos jurídicos e médicos.
Uma planta nomeada assim poderá ser reconhecida
no mundo inteiro, facilitando aquisições e trocas.
A cada
nova descoberta os taxonomistas registram a planta e fornecem um nome,
de acordo com o gênero, com detalhes de sua anatomia e para homenagem
a alguma pessoa relevante.
Os nomes populares são dados pelas pessoas, muitas vêzes por causa da anatomia, cor de flores,etc. e tem função regional, variando de um lugar para o outro.
A forma de dizer o nome em latim pode ser complicado em função da grafia. Por exemplo, a orquídea Laelia, pronuncia-se Lélia.
Para orquídeas monopodiais, um vaso comum de plástico é o suficiente por anos.
Seu crescimento não “caminha” como
nas simpodiais.
Para estas o vaso melhor é o que tem a boca mais larga.
Colocando-se a planta bem na borda com o ponto de crescimento virado para
o meio poderá usar por longo tempo o mesmo vaso.

Mas dada a enorme oferta de recipientes do mercado, como escolher?
Os antigos
vasos de cerâmica queimada usados para orquídeas ainda continuam
sendo manufaturados e oferecidos e podem ser usados.
São mais pesados
e ajudam a reter mais a água de chuvas ou regas, nem sempre interessante
em climas úmidos, por favorecer desenvolvimento de fungos.
Vasos
plásticos tem longa duração, são leves e baratos.
Opções como garrafas PET cortadas, penduradas com arames ou
fios de nylon de pesca, podem ser boas opções.
As orquídeas
também aderem a placas de coco, madeira, troncos, telhas, etc., aumentando
as possibilidades e a criatividade do cultivador.
Ramos grossos apanhados
no chão pelas trilhas no meio do mato, para quem dispuser deste tipo
de local, são dádivas da natureza. Forma ecológica
e sem custo e a planta irá se desenvolver muito bem a um tipo de
apoio a que está acostumado por centenas de anos.
Como foi dito, o substrato natural é uma mistura de folhas decompostas
e matéria orgânica. Poderemos usar isto? Dificilmente conseguiremos
reproduzir.
Mas temos algumas boas opções que têm dado
certo, usando criatividade com coisas que estão ao nosso alcance.
Característica de um bom substrato:
O substrato ideal para as orquídeas devem ter boa densidade, pode
ser em pedaços para propiciar boa aeração e ótima
drenagem.
Não tem necessidade de realizar trocas nutricionais com a
planta, portanto poderá ser oriundo de materiais descartados pela indústria.
A indústria madeireira e moveleira descarta
madeira que poderia ser reciclada e aproveitada.
Pedaços de madeira ou cascas de árvores
tem lignina, tanino e outros compostos que podem ser tóxicos para o
cultivo de plantas, principalmente orquídeas.
É preciso colocar em água,
trocando muitas vezes, por vários dias para lavar estes componentes.
São materiais naturais e com o tempo irão se decompor por ação
dos microorganismos do solo, virando composto orgânico.
A utilização de argila expandida também tem
sido feita com sucesso. Para quem não conhece, são pequenas bolotas de
argila cozida, muito usada para preenchimento de vasos para esconder a terra.
Podem ser quebradas para melhor preenchimento do recipiente. Guardam alguma
umidade e são ótimas para locais onde há problemas de
baixa umidade do ar, como no centro do país.
O uso de pedaços de coco reciclado tem ganho
o mercado pela sua leveza e facilidade de encontrar.
Oriunda da indústria do coco seu descarte
era até bem pouco tempo um problema ecológico.
É poroso
e leve, mas armazena boa quantidade de água, nem sempre desejável.
E é necessário deixar de molho em água, trocando todos
os dias para diminuir a quantidade de compostos tóxicos, como taninos
e outros elementos.
A vermiculita é um mineral micáceo vendido na forma expandida,
não é solúvel em água, é leve e resistente
a mofos, mas muito dispendiosa.
É muito usada em mistura com pó de
coco, com ótimos resultados. O substrato mais fino em textura não é bom
para as raízes das orquídeas, por sufocá-las, melhor
usar materiais mais grosseiros de tamanho maior.
Para locais onde a indústria tem materiais descartáveis, como
sisal, piaçava, tijolos quebrados, o uso deles pode ser barato e ajudaria
também o meio ambiente, diminuindo os lixões urbanos.
Quando
adquirimos aparelhos eletro-eletrônicos as embalagens de isopor acabam
indo para o lixo. Se cortarmos este isopor em pedaços pequenos poderemos
preencher fundos de vasos grandes para outras plantas mas também para
o cultivo de orquídeas.
Onde cultivar suas orquídeas?
Estas plantas são oriundas de
matas, sob árvores ou troncos é o seu lugar melhor.
Na falta
destes, poderemos construir um espaço com bancadas de madeira ou bambu,
poderemos pendurar em ripados feitos de madeira, ferro de construção
e tela para sombreamento.
Um muro onde haja luz e sol pela manhã, na
sacada do apartamento, dentro de casa junto a janelas com boa iluminação.
O lugar não é o problema nem precisa ser sofisticado.
Basta
que tenha luz, água e nutrientes adequados à sua espécie
e o seu carinho por elas. E florescerão, para sua alegria e orgulho.
