Cultivo do morango - parte 2
Texto da Eng.Agr.Miriam Stumpf.

Preparo do canteiro :

Preparar o canteiro, realizando a correção do solo segundo a recomendação da análise de solos.
O morangueiro necessita de pH em torno de 5,0 a 6,0, acima destes valores haverá prejuízo para a cultura.
Adubação :
Adubar com esterco bovino cerca de 3 litros/m², ou de aves, reduzindo então para metade deste volume.
A adição de estrume
animal propicia uma melhoria nas condições físicas
e biológicas do solo, além de ser fonte nutritiva para as
plantas e aumentar a aeração nas camadas superficiais do
solo.
Diminui a percolação em solos arenosos e aumentam a
atividade microbiana benéfica.
Os nutrientes em solos assim trabalhados
são melhor absorvidos pelos vegetais. No entanto, para a cultura
do morangueiro, a adição deste tipo de fertilizante em excesso
poderá se tornar prejudicial se for feito no ato do plantio.
Elevadas
quantidades de nitrogênio ocasionam problemas de toxidez, devendo
ser incorporados ao solo pelo menos de 30 a 40 dias antes do plantio das
mudas.
O morangueiro é exigente em nitrogênio, potássio
e fósforo e adubos com baixo teor de N poderão reduzir a
produtividade.
Há recomendações de aplicações
de esterco bovino ou de aves de 3 até 15 litros/m² conforme
a região produtora.
Uma análise com os índices de
fertilidade do solo não é dispendiosa e valerá a pena
ao produtor este investimento, assim como a orientação de
um engenheiro agrônomo ou técnico agrícola, evitando
excessos ou faltas dos nutrientes, comprometendo a produtividade da cultura.
Plantio definitivo das mudas de morango :
Após a preparação do canteiro, faz-se as covas, com espaçamento de 30 a 40 cm, plantando-se desalinhados, na forma chamada de quicôncio, que permite maior número de mudas com melhor espaçamento.
A cova
de plantio da muda deverá ser de tamanho suficiente para conter o sistema
radicular bem espalhado ao redor da planta.
Chega-se terra com as mãos,
apertando de leve, evitando enterrar a muda, deve-se deixar a metade do caule
a descoberto. Se o plantio for muito fundo, haverá dificuldade de emissão
de novas folhas e de estolões.
A pós o plantio regar bem, para que a terra fique bem aderida
junto da muda, eliminando bolsões de ar.
Após a rega, aguardar
a percolação da água, preenchendo os desníveis
com mais terra, se necessário.
A melhor época de plantio
de mudas para produção dos frutos é de abril a final
de maio nas regiões produtoras.
Antes desta data ainda há temperaturas
mais elevadas que podem ocasionar perda considerável de plantas.
Cobertura de cultura - cultivo protegido :

A maioria dos cultivadores de morangos usam o cultivo protegido, em geral com túneis feitos de arcos de arame e plástico transparente, protegendo as mudas da intempérie.
É feita a instalação
com espaçamentos entre os arcos de 1,20 a 1,50 m de largura.
Usar
uma estaca para amparar a parte superior dos arcos evitando o tombamento
pela ação dos ventos.
É usado em geral o plástico
com 100 a 150 µ (micras) de espessura.
É estendido sobre estes
arcos e presos nas estacas bem cravadas em ângulo de 45º.
Todos
os dias este plástico é movimentado, elevando-se uns 50 cm,
do lado contrário ao vento, para que o excesso de umidade seja eliminado
e haja maior luminosidade.
À noite o túnel é fechado
e em dias chuvosos também.
O morangueiro não aprecia regas
em demasia e nos túneis o excesso de umidade poderá favorecer
o aparecimento de fungos.
O uso de plásticos pretos de 30 µ sobre a terra do canteiro
propicia uma produção mais limpa dos frutos, além
de controlar melhor os inços.
O plástico também ajuda
na manutenção do calor e evita a compactação
do solo pelo impacto da gota da água de regas.
Outras vantagens:
menor índice de perda de frutos, frutos mais precoces e diminuição
da mão-de-obra.
Como em tudo há o outro lado da moeda, as
desvantagens do uso deste material é seu custo e porque favorece
a incidência de ácaros, por causa do clima mais seco dentro
do túnel.
Materiais alternativos para cobertura:
Caso o agricultor faça a opção de não usar o plástico, poderá lançar mão de outros materiais, como cascas de arroz, trigo e outros cereais, folhas secas, maravalha, palhada seca de culturas, cortadas em pequenos pedaços.
Esta cobertura
deverá estar seca e espalhada em camada grossa, evitando a germinação
de sementes de inços.
As vantagens do uso de cobertura seca é que
os ácaros não são atraídos pelo ambiente
mais úmido e o custo é menor, pois é um material
descartado da lavoura. Sem falar que com a intempérie este material
vegetal será transformado em composto orgânico, servindo,
num futuro, de adubo para as plantas.
A desvantagem fica por conta de que este material será decomposto, é mais úmido e poderá fazer um micro clima onde fungos poderão se desenvolver.
Os frutos acabam por se contaminar, aumentando o descarte na colheita.
Também este tipo de proteção poderá ocasionar
a diminuição de precocidade dos frutos com coloração
manchada onde este toca o material.
O resíduo de madeireiras, como
o pó de serra e maravalhas devem estar semi-decompostos devendo
permanecer por algum tempo na intempérie, para lavar as resinas
e compostos que poderiam ocasionar sintomas de toxidez nas plantas.
Também é preciso
que estejam secos na colocação.
A época de implantação deste tipo de cobertura seca é de 30 a 40 dias após a instalação do canteiro.
Realizar tratos culturais de controle de inços, passar
um escarificador para quebrar a camada dura que costuma se formar na superfície
do solo por causa da compactação das regas e aproveitar para
fazer a adubação de cobertura.
