Como cultivar cactos
- parte 1
Texto e fotos da Eng.Agr.Miriam
Stumpf.

Os cactos desenvolvem-se em geral em solos arenosos, pedregosos e secos.
Para a reprodução de seu solo de origem deveremos usar substratos
que não retenham água, como areia, cascalho, cascas de árvores
decompostas e composto orgânico de folhagens junto com o solo
mineral comum de cultivo.
Apreciam solo de pH mais alto do que a maioria
das plantas ornamentais necessitam, em torno de 6 a 6,5, então
devemos evitar a colocação de turfa, cujo pH é de
3-3,5, preferindo húmus de minhoca que tem pH em torno de 7,0.
As raízes dos cactos são superficiais e muito numerosas,
mas o preparo do solo em profundidade de mais de 15 cm é necessário,
para garantir uma boa drenagem de águas de chuva ou regas.
Para
cultivo em vasos o fundo do recipiente deverá ser preparado com
cacos de vasos brita ou manta geotêxtil ( manta de não tecido,
usada para filtro de ar, coifas e ar condicionado) para evitar a compactação
da terra no furo de drenagem, ocasionando encharcamentos.
Adicione um
pouco de areia antes de colocar o substrato.
A mistura a ser colocada
deve ter boa drenagem, alguma fertilidade e moderada capacidade de reter água.
A adubação de cobertura poderá ser feita com adubo
granulado fórmula NPK com pouco nitrogênio.
Como este nutriente
promove o maior crescimento do tecido vegetal, a planta poderá ficar
com deficiência de outros nutrientes, ficando débil e sujeita
a ataque de fungos e outras doenças.
A formulação
do tipo 4-14-8 é a melhor e propicia também melhor floração.
Os frutos dos cactos contêm inúmeras sementes, quase sempre
pretas.
Um único fruto de Cereus poderá produzir centenas
de sementes viáveis.

Colhe-se o fruto e extrai-se a polpa, colocando
em água para melhor retirar as sementes sem danificá-las.
Coar num pano, procurando dissolver a mucilagem que as envolve.
Lavar
bem as sementes, o resíduo da mucilagem poderá ser berço
para desenvolvimento de fungos.
Deixar secar no sol. Se algumas fibras
ficaram aderidas às sementes, quando estiverem secas serão
descartadas com facilidade.
Bandejas de semeadura podem ser adquiridas em lojas especializadas ou
então use recipientes como bacias plásticas ou caixas de
frutas forradas no fundo com furos para drenagem e encha com substrato
feito de casca de arroz carbonizada, pó de coco ou substratos adquiridos
no comércio.
Semear procurando distribuir as sementes, podendo
cobrir com areia peneirada ou deixar sem cobertura nenhuma.
A germinação
ocorre entre 30 e 45 dias para a maioria dos gêneros, mas o Opuntia poderá levar
mais tempo.
A melhor época de semeadura para
os cactos é no verão.
Evite regar a sementeira.
Se colocar a bandeja de cultivo dentro
de outra com uma lâmina de água esta subirá por capilaridade
não sendo necessário molhar.
Para que isto ocorra, a altura
do substrato da sementeira deverá ser pequena.
Para uma mistura
de pó de coco e areia, 5 até 6 cm, diminuindo para 4 se
o substrato for areia pura.
Parece estranho manter esta umidade, mas as
plântulas dos cactos não têm tecidos para armazenar água
como nas plantas já desenvolvidas.
Não deixar a bandeja
mergulhada na água, retirando após alguns minutos, evitando
assim a proliferação de fungos.
Uma bandeja assim umedecida
mas não encharcada poderá manter-se por muito tempo sem
outras regas.
A observação da umidade do substrato, portanto, é fundamental.
Esta bandeja de sementes poderá ir para uma estufa ou para quem
se inicia na prática, uma cobertura com plástico para manter
a umidade.
Após a emergência das plântulas, retirar
esta cobertura e manter a bandeja em local ventilado, mas à sombra.
Uma coisa importante: não semear especies diferentes juntas e marcar o recipiente com o nome da planta.

Para quem for fazer a nível comercial deve saber que entre a semeadura e a comercialização poderá haver um tempo mais longo que a maioria das plantas ornamentais, o que gera um custo maior por planta, já que permanece mais tempo no viveiro.
O tempo de ficar no substrato de semadura é de 3 a 4 semanas.
Após a quarta semana pode ser feita adubação de cobertura
com adubo dissolvido em água numa fertirrigação,
cuidando com a quantidade aplicada bem como a intensidade da rega, para
não desplantar as frágeis mudinhas.
Após 4 a 5 meses poderá ser feito o transplante para vasos,
que poderão ser grandes vasos de boca larga, tipo bacias para cultivo
em comunidade.
Se a produção é feita em viveiro,
não há o problema das chuvas pesadas que poderão
danificar as plantas.
O jardineiro amador poderá providenciar uma
tela fina, destas para mosquitos, para colocar sobre os vasos.
Para quem
cultivar a nível comercial, as plantas ficarão neste tipo
de recipiente até o segundo ano após a semeadura.
O gênero Cereus, no entanto, é de rápido crescimento e não acompanham estas indicações, sendo repassados para vasos em tempo bem menor.
Para ver as pequenas mudinhas crescerem, é preciso ir colocando na luz a cada dia mais.
No Brasil a exposição leste é a melhor, pois o sol
ainda não está muito forte e assim inicia a aclimatação
das plantas ao sol.
Quando estiverem crescidas, já envasadas ou em canteiros, a luz direta
do sol é absolutamente necessária e poderão então
ficar expostas ao sol o dia inteiro.
Os cactos apreciam altas temperaturas então sabemos que em regiões
de invernos muito frios e úmidos a planta terá problemas.
Como já foi comentado, a amplitude térmica não afeta
estas plantas, com calor de dia e frio de noite, como nas condições
de desertos.
